top of page
Buscar

Sombras na tela: rastreando o legado do blackface no cinema

  • QAFF
  • 13 de jan. de 2024
  • 2 min de leitura

Atualizado: 15 de jan. de 2024

Nas luzes trêmulas do cinema nascente, uma sombra foi projetada – uma sombra longa e escura que se estendeu pelos anais da história do cinema americano. É a silhueta do blackface, um espectro dos palcos do século XIX que dançou seu caminho para o mundo do celuloide do século XX, deixando uma marca indelével na representação dos afro-americanos na indústria do entretenimento.


Nas luzes trêmulas do cinema nascente, uma sombra foi projetada – uma sombra longa e escura que se estendeu pelos anais da história do cinema americano. É a silhueta do blackface, um espectro dos palcos do século XIX que dançou seu caminho para o mundo do celuloide do século XX, deixando uma marca indelével na representação dos afro-americanos na indústria do entretenimento.
Singer and actor Al Jolson "The Jazz Singer 1927" / Corbis via Getty Images

A Gênese de um Estereótipo

Nascido no brilho tênue dos teatros iluminados a gás, o blackface minstrelsy era um descendente americano – um produto macabro da performance e do preconceito. Quando o cinema chamou, essa tradição, impregnada de racismo, saltou para a tela com uma agilidade sinistra. Desses primeiros rolos de filme, emergiram caricaturas que retratavam os afro-americanos como preguiçosos, pouco inteligentes e submissos. O historiador de cinema Donald Bogle observa acertadamente: "Essas imagens cristalizaram atitudes profundamente enraizadas, ajudaram a confirmá-las e as gravaram mais profundamente na consciência americana."


O Eco no Auditório

O impacto dessas representações não se limitava aos quadros cintilantes do cinema; ele ecoava no psique coletivo de sua audiência. As narrativas saturadas de estereótipos não apenas refletiam, mas ampliavam os preconceitos sociais, reforçando um ciclo de racismo e discriminação. Quando atores afro-americanos pisaram nesse palco distorcido, encontraram-se presos em um paradoxo, exemplificado pelas palavras da atriz vencedora do Oscar, Hattie McDaniel: "Prefiro interpretar uma empregada do que ser uma." Seus papéis, limitados e degradantes, refletiam a época – um espelho distorcido das visões sociais.


Um Cinema em Transição

Entre o panteão dos primeiros filmes, "O Nascimento de uma Nação" (1915) e "O Cantor de Jazz" (1927) se destacam como monólitos das atitudes raciais da época. "O Nascimento de uma Nação" de D.W. Griffith, com sua glorificação do Ku Klux Klan e demonização dos afro-americanos, e a performance de Al Jolson em blackface em "O Cantor de Jazz", serviram como lembretes pungentes do racismo enraizado da época. O afastamento gradual do blackface no cinema foi uma jornada relutante, marcada pela resistência e lenta aceitação. Foram os esforços incansáveis dos artistas afro-americanos e o crescente movimento dos direitos civis que começaram a remodelar a narrativa.


Um Olhar Contemporâneo

Hoje, ao olharmos através da lente cinematográfica, os vestígios do blackface minstrelsy persistem, embora de formas mais sutis. A jornada em direção a uma representação mais inclusiva e autêntica na mídia é contínua. Ao traçar paralelos com a representação de outros grupos minoritários no cinema primitivo, compreendemos o espectro mais amplo da representação racial incorreta e suas raízes

profundamente enraizadas.


O Filme do Progresso

No reconhecimento do legado do blackface no cinema primitivo, reside um caminho para a compreensão – um mapa que nos guia através das barreiras sistêmicas enfrentadas pelos afro-americanos na indústria do entretenimento. Esta jornada não visa apenas corrigir o passado, mas moldar um futuro onde a tela reflita o verdadeiro mosaico da vida americana.


Como diz a cineasta Ava DuVernay, "Quando falamos de diversidade, não é uma caixa para marcar. É uma realidade que deve ser profundamente sentida, sustentada e valorizada por todos nós."


Assim, a sombra projetada pelo blackface no cinema primitivo se torna uma silhueta de aprendizado e progresso – uma silhueta que, embora nascida de um lugar de escuridão, nos guia para uma compreensão mais luminosa do nosso patrimônio cinematográfico e cultural compartilhado.

 
 
 

Comments


FESTIVAL DE CINEMA QUIBDÓ ÁFRICA 

É PRODUZIDO COMO APOIO DE:

QAFF Original
FUPRODECH logo
Logo_escudoGobernación2024_Mesa de trabajo 1 copia 2.png
Logo_escudoGobernación2024_Mesa de traba

Sede Oficial:

Logo Biblioteca publica Arnoldo Palacios
Logo FDC

Apoyan:

LOGO ALCALDIA
LOGO UTCH
Logo TV5MONDE
ANAFE LOGOS OFICIALES
Logo-FICCI1.png
Ambassade du Maroc.jpeg
Logo Fundacion Colombia Negra
IF_logo La Cinémathèque Afrique
Embajada de Francia

Aliados:

logocantico_CanticoHorizontalFC[8011].png
Logo Archivo UTCH
Logo Radio UTCH
Logo Chocografia
Orange and Brown Traditional Illustrative Indian Food Product Label.png
radio Nacional De Colombia
La Gaceta Cabezote
Logo Telepacifico
Canal Cultura.png
All African 2024 FINAL
sudu-connexion
Logo FIIAA.png
Logo UBUPlay
Logo Ficem
Orange and Brown Traditional Illustrative Indian Food Product Label (3).png
Visper-Blanco.png
Zarpar.png
filmfreeway

FUNDAÇÃO QAFF

 Colômbia

Todos os direitos reservados

© 2024

  • Instagram
  • TikTok
  • Youtube
  • Les fils
  • X
  • Facebook
bottom of page